Aceite antes que piore: o morador de rua é um problema seu

Aceite antes que piore: o morador de rua é um problema seu

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A cada dia é mais visível o reflexo do desemprego nas ruas das grandes capitais


A cada dia é mais visível o reflexo do desemprego nas ruas das grandes capitais
WILLIAN MOREIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Sem geração de empregos, sem a retomada do crescimento econômico, vai aumentar a legião de brasileiros destituída de moradia e dignidade
R7 PLANALTO
Marco Antonio Araujo, do R7
31/07/2019

O último censo sobre moradores de rua em São Paulo é de 2015 e apontava cerca de 15 mil pessoas nessa situação. Esse número, de lá para cá, aumentou e muito. É visível. Vai piorar. Difícil encontrar alguém que discorde desse pessimismo, diante da realidade que se impõe e das projeções econômicas que rondam os próximos anos. Um país que deixa trabalhadores, pais e crianças famílias dormindo na rua, com fome e frio, é um país que fracassou.
Para muitos brasileiros jovens, é novidade esse cenário de degradação humana e miséria evidente. Os mais velhos sabem que o Brasil está apenas voltando a exibir a grande chaga decorrente das sucessivas crises enfrentadas desde a década de 1970. Houve um breve período, uma tímida bolha de prosperidade, quando morar na rua era uma situação extrema reservada a drogados e seres destituídos de convívio social. Nada que uma política assistencialista não resolvesse com empenho e verbas razoáveis.
Agora não. Sem geração de empregos, sem a urgente retomada do crescimento econômico, sem governos empenhados em diminuir desigualdades seculares – todos têm que admitir – vai aumentar essa legião de brasileiros privados de moradia e dignidade.
A esse desafio gigantesco soma-se mais um, o de desarmar o preconceito irracional de quem vê nos destituídos a marca do fracasso pessoal, do desinteresse por trabalho ou da vocação pela tragédia. Não. Ninguém escolhe dormir ao relento. Nenhum pai, nenhuma mãe, quer ver seu bebê de colo passar fome, sentir frio e não ter onde tomar um banho quente. Nenhum idoso escolhe morrer na calçada. 
Um morador de rua, em entrevista a uma revista semanal, resumiu o absurdo que é colocar a culpa na vítima: “Como pode ser um problema da pessoa se a cada dia tem mais e mais gente na rua?”. É irrebatível. É visível. Vai piorar. Essa desgraça é de todos nós. 
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