Bolsonaro tenta transformar o filho em líder na Câmara, dizem deputados

Eduardo cumpriria um mandato-tampão até dezembro quando então, se aprovado para o cargo de embaixador em Washington, se mudaria para os Estados Unidos

 

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O grupo de deputados ligados ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) está colhendo assinaturas entre colegas para que o filho do presidente Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) assuma a liderança da legenda na Câmara dos Deputados.

Ele cumpriria um mandato-tampão até dezembro quando então, se aprovado para o cargo de embaixador em Washington, se mudaria para os Estados Unidos. Para isso, eles teriam que derrubar o deputado Delegado Waldir (PSL-GO) do cargo. O próprio presidente da República, segundo relatos feitos à reportagem, estaria envolvido na negociação.

Dois parlamentares que estão insatisfeitos com a movimentação disseram à reportagem que um dos deputados que esteve com Bolsonaro chegou a gravar o presidente.

Na conversa, que teria sido ouvida por oito integrantes da bancada, ele pediria que o parlamentar assinasse a lista, ponderando que o líder define mais de cem cargos e influencia na distribuição de recursos do fundo partidário. Faltariam algumas assinaturas para que o Deputado Waldir fosse destituído.

Bolsonaro então finalizaria: se o deputado não assinar a lista e ficar contra ele, não haveria problema. A abordagem está sendo encarada como uma ameaça.

O deputado Junior Bozzella (PSL-SP) não comenta a existência da gravação. Mas diz que há, sim, uma articulação para que Eduardo Bolsonaro assuma a liderança do partido até dezembro. “É muito ruim nesse momento o presidente interferir na discussão da liderança do partido. Há um toma lá, dá cá. Isso mostra que o Planalto não tem intenção de pacificar o partido. A luta, está claro, é pelo poder”, diz Bozzella.

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP), alinhada com Bolsonaro, afirma que a situação do Deputado Waldir na liderança do partido é “insustentável” já que muitos parlamentares não teriam mais sequer acesso a ele depois dos desentendimentos entre o presidente e o comandante do PSL, Luciano Bivar.

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