Casos de dengue no país têm maior patamar desde epidemia de 2015

R7

Aumento expressivo com quase 1,5 milhão de casos antes da primavera e da temporada de chuvas preocupa comunidade médica e científica

O verão ainda não chegou, mas o país já está em alerta contra a dengue e o mosquito Aedes aegypti, seu transmissor, pois foram registrados neste ano quase 1,5 milhão de casos, o maior patamar desde 2015, segundo dados oficiais.

Embora a doença seja endêmica no Brasil e os picos sejam comuns a cada dois ou três anos, o expressivo aumento de registros antes mesmo da chegada da primavera – que começa no próximo dia 23 – e da temporada de chuvas vem provocando preocupação na comunidade médica e científica do país.

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Dengue, zika e chikungunya são doenças transmitidas pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti. Diferentemente dos mosquitos Haemagogus ou Sabethes, o Aedes aegypti vive no meio urbano e se prolifera em locais com água parada, como base de vasos (foto). Exames de sangue já são capazes de fornecer diagnósticos precisos de cada doença. Entre essas doenças, já existe vacina apenas para dengue, mas de eficácia ainda não totalmente comprovada

Foto: Divulgação

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Segundo dados do Ministério da Saúde, pelo menos 591 pessoas morreram devido à doença de 30 de dezembro de 2018 a 24 de agosto deste ano, e outras 486 mortes suspeitas de terem a dengue como causa estão sob investigação. Neste período foram registrados mais de 1,4 milhão de casos de dengue, um crescimento de 600% em relação ao mesmo período de 2018 (que foi de 205.791). Foi o maior índice desde 2015, quando houve 1,6 milhão de casos de janeiro a dezembro.

Apesar de a dengue ser considerada uma doença cíclica, a preocupação entre médicos, agentes de saúde e autoridades é que o período mais quente e úmido do ano ainda não começou.

“A temporada de chuvas ainda não chegou. É quando os casos se multiplicam. Nós ainda estamos no inverno – um bastante seco, inclusive. Não deveríamos ter esse pico da dengue agora, esses números estão fora da curva”, afirmou o médico Thiago Henrique dos Santos, mestre em Saúde Pública pela USP.

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Os sintomas iniciais de febre amarela, dengue, gripe, zika e chikungunya são comuns a várias doenças infecciosas causadas por vírus, como dor no corpo, dor de cabeça e dor nas juntas. Mas a partir do segundo ou terceiro dia, o vírus procura os órgãos pelos quais tem afinidade e então os sintomas de cada doença se tornam mais característicos

Foto: Getty Images

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que uma situação é considerada epidemia a partir de 300 casos para cada 100 mil habitantes. Atualmente, a taxa de incidência da doença no Brasil é de 690,4 casos a cada 100 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde.

Santos criticou o que classificou como desmonte das políticas públicas de prevenção da doença.

“O governo está correndo atrás do prejuízo”, disse o médico, que lamentou os cortes drásticos para o setor de saúde pública, que vem acontecendo desde 2016.

Essa redução, segundo Santos, impactou de maneira significativa os recursos das equipes de saúde ambiental que atuam em todo o país no combate à dengue e que dão orientação aos moradores sobre as melhores estratégias de prevenção da doença.

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Existem dois tipos mais comuns de dengue: a dengue clássica e a hemorrágica. A clássica tem sintomas similares à gripe como febre alta (em torno de 40 graus), dor de cabeça, dor nas articulações, dor atrás dos olhos, dores musculares, prostração, vermelhidão no corpo e coceira. Os sintomas regridem a partir do sétimo dia, mas a fraqueza perdura por algumas semanas. Já a hemorrágica apresenta, inicialmente, os mesmos sintomas da clássica, porém, após o terceiro dia, surgem os sinais de hemorragia, como sangramento da gengiva, do nariz e rompimentos superficiais da pele

Foto: AP

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O médico e pesquisador Alexander Precioso, diretor da Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância do Instituto Butantan, também vê os orçamentos cada vez menores como uma preocupação para todos que trabalham com pesquisa no país.

O especialista, no entanto, afirmou que, no campo da dengue, os recursos estão em uma “situação bastante satisfatória”.

Precioso é um dos pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento de uma vacina de dose única contra os 4 tipos da doença. Ele aponta que mesmo que a fórmula tenha proteção confirmada, dificilmente acabará sozinha com a doença, e por isso o país não pode abandonar as outras ações.

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A febre amarela, provocada pela picada dos mosquitos Haemagogus ou Sabethes (foto), que habitam região de mata, causa sintomas como febre com calafrio, dor de cabeça, dores musculares, mal estar e cansaço. A partir do terceiro dia, a maioria das pessoas já começa a apresentar melhora. No entanto, 15% desenvolvem complicações, entre elas hepatite e alteração do funcionamento dos rins e do coração, que podem levar à morte

Foto: BBC BRASIL

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“A luta contra a dengue é uma batalha eterna. É uma luta que depende de políticas públicas de saúde, de ações governamentais, mas também da participação ativa da população”, garantiu.

Com isso, as visitas casa a casa e a orientação aos moradores de áreas de risco continuam sendo a maneira mais eficaz de combate aos criadouros do mosquito, permitindo, assim, que seja interrompido o contágio da população urbana.

“O período para que uma larva se transforme em mosquito é de apenas uma semana. É um ciclo muito rápido, constante e a partir do momento que as pessoas esquecem os recipientes cheios de água, os casos de dengue voltam a disparar”, declarou à Efe a agente de endemias do município de São Paulo, Dulcineia Prates.

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Existem dois tipos mais comuns de dengue: a dengue clássica e a hemorrágica. A clássica tem sintomas similares à gripe como febre alta (em torno de 40 graus), dor de cabeça, dor nas articulações, dor atrás dos olhos, dores musculares, prostração, vermelhidão no corpo e coceira. Os sintomas regridem a partir do sétimo dia, mas a fraqueza perdura por algumas semanas. Já a hemorrágica apresenta, inicialmente, os mesmos sintomas da clássica, porém, após o terceiro dia, surgem os sinais de hemorragia, como sangramento da gengiva, do nariz e rompimentos superficiais da pele

Foto: AP

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Porém, a maior cidade do Brasil é considerada uma “bolha” que contrasta com os números nacionais: enquanto em todo o estado de São Paulo o coeficiente de incidência alcançou a marca de 959,7 casos por 100 mil habitantes, na capital paulista a taxa se situa em 138 casos a cada 100 mil pessoas, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde.

A coordenadora do Departamento Municipal de Vigilância em Saúde de São Paulo, Solange Saboia, contou que estão sendo preparadas atividades ampliadas de combate ao mosquito nos meses que antecedem o verão, devido à situação alarmante deste ano.

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Assim como a dengue e a zika, a chikungunya causa febre alta, dor de cabeça, dores musculares, conjuntivite, náuseas, vômitos e vermelhidão pelo corpo. O predominante são as dores articulares, que afetam simetricamente diversas juntas e são debilitantes. O quadro evolui para cura em dez dias. A doença, em geral, não mata, mas provoca dores articulares crônicas – para a vida toda

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“Temos bastante preocupação em relação à chegada do calor e das chuvas e, por isso, estamos antecipando várias das estratégicas de intensificação”, explicou.

Por sua vez, a agente de endemias Marlene Ferreira, que há 18 anos faz visitas residenciais, lembrou que, para uma prevenção efetiva, é necessário um esforço coletivo, constante, maciço e metódico.

“Logo chega a temporada de chuvas, e qualquer respingo de água nos vasos de planta ou tigelas de animais já é suficiente para que o mosquito venha, coloque seus ovinhos, e a gente tenha um novo surto de dengue”, alertou.

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Já a gripe não é transmitida por mosquito, mas sim pelo contato entre uma pessoa gripada e outra saudável por meio de gotículas no ar ou pelo aperto de mão, por exemplo. A principal característica que difere a gripe da febre amarela, dengue, zika e chikungunya é a presença de secreção (catarro). Sintomas como dor de garganta e tosse são típicos da gripe e não das demais doenças 

Foto: Thinkstock

NÃO DÊ ASAS A ESSE PERIGO, COMBATA!!

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