CIHDOTT da Santa Casa de Ourinhos realiza importante trabalho na captação de órgãos

Mais do que uma demonstração de amor ao próximo, a doação de órgãos pode ser a única esperança de vida ou oportunidade de recomeço para pacientes à espera de um transplante. No dia Nacional de Doação de Órgãos, celebrado nesta sexta-feira, 27 de setembro, é fundamental reforçar a importância das pessoas cada vez mais terem a consciência e a iniciativa de defesa da vida.

Em Ourinhos, a doação de órgãos começa a ter um papel importante no dia a dia da sociedade. O assunto está cada vez mais em evidência e aos poucos a população tem se conscientizado da importância em aderir a esta ação e se tornar um doador e principalmente: devolver a vida e o amor para muitas famílias.

Esse novo cenário que revela o envolvimento das pessoas com a doação e órgãos é comprovado através de um balanço feito pela Comissão Intra-Hospitalar de Transplante de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), um setor da Santa Casa de Ourinhos que atua desde 2015 com um trabalho exemplar e eficiente na captação de órgãos junto aos familiares que tiveram algum ente falecido no hospital.

De acordo com dados da CIHDOTT, em 2015 o setor registrou 36 doações entre córneas, fígado e rins. Em 2016 foram 34 doações, sendo que desse total surgiram dois corações; em 2017 esse número caiu para 31; em 2018 somou apenas 12 doações e em 2019 as doações já subiram e até o mês de setembro foi registrada um total de 20.

O enfermeiro André Luiz Augusto Moreira, coordenador do CIHDOTT, explicou que essa variação no número de doações por ano tem uma explicação. Apesar de o hospital registrar uma média de 65 óbitos por mês, nem todos os casos são potenciais doadores. Segundo ele, existem critérios que devem ser seguidos, entre eles, se o paciente é menor de 02 anos ou tem mais de 70 anos, restrições clínicas, doenças infecciosas ativas. Na parada cardíaca a doação ocorre somente de tecido, (córneas), já na morte encefálica pode ser de múltiplos órgãos.

“Os nossos números de doação são bem expressivos, a quantidade é muito grande. A nível de região, posso afirmar que nos destacamos muito porque temos uma equipe presente, Nós visitamos as UTIs e os leitos diariamente para avaliar potenciais  doadores, explicou André Moreira.

Um detalhe importante que algumas vezes dificulta a doação de órgãos é a restrição familiar.  Porém, segundo o coordenador do CIHDOT, esse cenário já melhorou e a conscientização tem sido cada vez maior. “Quando comecei em 2015 com o CIHDOTT, quase que pedi para fazer outra coisa, porque era difícil aceitação familiar, de cada 10 pessoas abordadas, 100% negava a doação. Nos últimos anos, nossos indicadores têm mostrados bons números, o que considero fruto do trabalho que desenvolvemos no dia a dia e das nossas ações e campanhas realizadas nos últimos tempos”.

O enfermeiro explicou também que os órgãos captados seguem para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes do estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes. “A central faz a distribuição de acordo com a fila de prioridades e valoriza a condição clínica do paciente e a compatibilidade com o órgão doado. Nos não realizamos transplantes no hospital”.

Como ser um doador e a sua importância

No Brasil, para se tornar um doador, o primeiro passo é comunicar a intenção à família, uma vez que a concessão de órgãos só é feita mediante autorização familiar. Por isso, segundo o enfermeiro, é importante a família discutir em vida sobre a doação de órgãos. “Nos do CIHDOTT não podemos induzir as famílias a doarem os órgãos, pois a doação é algo espontâneo que vem do coração e deve ser respeitado o desejo da família. O que nós fazemos é uma entrevista aberta e deixamos a família decidir. Por isso, é muito importante discutir esse assunto em vida, pois facilita tanto para a família como para a Equipe do hospital”.

Existem dois tipos de doadores: o doador vivo, que pode ser qualquer pessoa que concorde com a doação, desde que não prejudique a sua própria saúde. Em vida, podem ser doados rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do pulmão. Pela lei, parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores. Não parentes só com autorização judicial; e o doador falecido, que são os com morte encefálica comprovada.

Diante disso, o enfermeiro André Moreira reforça a importância da doação. “Hoje  sei que não preciso de um órgão, mas amanhã posso precisar. Tivemos um caso que chamou muito a atenção, durante uma entrevista a qual considero a mais fácil que realizamos. Um Paciente faleceu no nosso hospital e durante a entrevistar com os familiares  um dos filhos disse que era a favor, porque ele tinha recebido um órgão e sabia da angústia daquele que está na fila do transplante. Foi muito emocionante”.

André Moreira deixou claro também que todo processo de doação é seguro. “Ninguém vai retirar um órgão de uma pessoa viva, para tanto seguimos um protocolo da Central de Transplante de Morte Encefálica, que consiste em três etapas de exames, sendo dois clínicos e um de imagem. Garanto que tudo é muito seguro e  documentado”.

Outra questão importante destacado pelo coordenador do CIHDOT é que se a retirada dos órgãos irá descaracterizar a pessoa falecida. “Garantimos a integridade do corpo, tudo que é retirado é reconstituído. Se fez a doação de múltiplos órgãos, no local é feito a reconstrução  para manter a estética. Com relação a córnea colocamos prótese e o caixão não é lacrado, ou seja, a família não perde o direito de fazer o velório de 24h”.