Com livro de torturador na mesa, Bolsonaro debate escolas militares com Weintraub

A obra ‘A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça’ é o livro de cabeceira do presidente Bolsonaro

O deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou em suas redes sociais uma foto de uma reunião em que participa ao lado do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da educação, Abraham Weintraub, e seu irmão, Arthur Weintraub. Segundo o parlamentar, esteve entre as pautas do encontro as escolas cívico-militares. No entanto, um item chama a atenção: sobre a mesa da reunião, encontra-se o exemplar do livro “A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça”, do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Eduardo Bolsonaro🇧🇷

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Reunião em que falamos,dentre outros temas,das escolas cívico-militares 76% dos brasileiros são a favor deste tipo de ensino

Lamentavelmente alguns estados, como SP e RJ,os governadores não aderiram ao programa federal,o que dificulta sua implementação.A quem isso serve?Vaidade?

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A obra é sabidamente o livro de cabeceira de Jair Bolsonaro, que já se referiu ao ícone da  repressão durante a ditadura militar (1964-1985) como “herói nacional”. No ano passado, o presidente chegou a recomendar o livro a uma professora, após estudantes pedirem a Bolsonaro que mandasse um abraço à docente, de esquerda. “Fala pra ela ler o livro A verdade sufocada aí. Só ler. Depois ela tira as conclusões. Lá são fatos, não é blá blá blá de esquerdista não”, declarou à época.

Ustra é o único brasileiro reconhecido e condenado pela Justiça como torturador. Ele é acusado pelo desaparecimento e morte de pelo menos 60 pessoas no temido DOI-Codi de São Paulo.

Na publicação sobre a reunião, Eduardo Bolsonaro questionou os Estados que não aderiram à proposta de entregar aos militares questões como disciplina e segurança. “Lamentavelmente alguns estados, como SP e RJ,o s governadores não aderiram ao programa federal, o que dificulta sua implementação. A quem isso serve? Vaidade?”, questionou o parlamentar. Além de São Paulo e Rio de Janeiro, no sudeste, o Espírito Santo também não aderiu à proposta. No Nordeste, oito Estados ficaram de fora: Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Alagoas e Bahia.

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