Fotos dos Bolsonaro com milicianos presos reforçam necessidade de investigar laços da famiglia

VIOMUNDO

A família do sargento reformado do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Ronnie Lessa, mudou-se logo depois dele ser preso, acusado de ser o assassino da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ).

Lessa está em um presídio federal de Rondônia.

Lessa morava numa casa de alto padrão no mesmo condomínio de Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro.

A filha dele namorou o filho mais jovem do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Hoje, em nova ação contra a quadrilha de Lessa, a polícia prendeu a esposa dele, num condomínio vizinho.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, governado por Wilson Witzel, agora desafeto dos Bolsonaro, trabalha no caso em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual (MPE-RJ).

Elaine Pereira Figueiredo Lessa foi presa em outra casa de alto padrão.

A pergunta ainda não esclarecida: como Lessa, acusado de puxar o gatilho contra Marielle, acumulou tamanho patrimônio?

A esposa de Lessa é acusada de chefiar o esquema para dar sumiço nas armas utilizadas no crime.

Elaine foi sócia do marido em uma academia de ginástica em Rio das Pedras, no Rio de Janeiro.

Rio das Pedras, na Zona Oeste, é área de forte atuação de milícias.

De acordo com o colunista Lauro Jardim, de O Globo, é onde o ex-PM Fabrício Queiroz, assessor da família Bolsonaro, passou alguns dias refugiado em dezembro de 2018, depois de ter movimentações atípicas em sua conta bancária reveladas pela imprensa.

A defesa de Queiroz nega.

Elaine, a mulher do suspeito de assassinar Marielle, teria convocado um certo Djaca, Josinaldo Lucas Freitas, para esconder as armas utilizadas no crime.

As armas, segundo a polícia, foram atiradas no mar, perto das ilhas Tijucas, na Barra da Tijuca — inclusive a metralhadora HK-MP-5 que ceifou a vida de Marielle e do motorista Anderson Gomes.

Djaca, o homem encarregado de esconder as armas, é fã declarado do grande sucesso do cinema O Poderoso Chefão.

Gostava de publicar fotos ao lado de políticos nas redes sociais.

Exibiu, por exemplo, imagem com o vereador Carlos Bolsonaro no que parece ser o plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Em outra, aparece com Jair Bolsonaro de maneira descontraída, no que parece ser o condomínio onde o hoje presidente e o assassino de Marielle, Ronnie Lessa, eram vizinhos.

Segundo a revista Veja, a foto é datada de 28 de outubro de 2018, segundo turno das eleições.

Bolsonaro faz sinal de positivo. Djaca veste uma camiseta da marca La Familia, que trabalha com estampas que vão da Máfia a Pablo Escobar.

Bolsonaro já havia sido fotografado ao lado de outro suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle Franco, o ex-sargento da PM Élcio de Vieira Queiroz.

“Em 2011, Élcio foi alvo de prisão preventiva no âmbito da Operação Guilhotina, que investigou conexões de policiais com traficantes de drogas, milícias e com a máfia dos caça níqueis. Sete anos depois, em 2017, a Justiça do RJ negou, em decisão de segunda instância, um pedido de Élcio e de outros policiais para que decisão de expulsá-los da PM fosse revista”, informou a revista Veja a respeito de Élcio.

Élcio é acusado de conduzir o carro a partir do qual o vizinho de Bolsonaro, Ronnie Lessa, fez os disparos que mataram Marielle e Anderson.

Falta chegar aos mandantes dos assassinatos.

A Polícia Federal já concluiu um inquérito segundo o qual o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, conhecido como Ferreirinha, e a advogada Camila Nogueira atuaram para tentar tumultuar as investigações.

O objetivo seria impedir que elas chegassem a um certo Escritório do Crime, milícia que atua na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Uma operação da Polícia Civil carioca prendeu Ronald Paulo Alves Pereira, major da PM conhecido como Major Ronald ou Tartaruga.

Seria o chefe da milícia da Muzema e grileiro de terras nas regiões de Vargem Grande e Vargem Pequena, na Zona Oeste.

Mas o ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, o Gordinho, apontado como outro líder do mesmo bando, conseguiu fugir.

Ambos foram alvos de três homenagens do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Adriano, acusado de homicídio, teve a honra de contar com a presença do então deputado federal Jair Bolsonaro em seu julgamento.

Posteriormente, o deputado fez um discurso na Câmara Federal denunciando a condenação de Adriano.

Mais tarde, a condenação foi anulada.

Adriano, através de Fabrício Queiroz, conseguiu emplacar a esposa e a mãe como funcionárias fantasmas no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega e a mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, só foram exoneradas do gabinete de Flávio em 13 de novembro de 2018.

Mas, o filho de Jair Bolsonaro não sabia de nada sobre a vida pregressa do miliciano Adriano, hoje foragido?

Difícil acreditar.

Adriano foi expulso da PM em 30 de dezembro de 2013 — ou seja, a mãe e a esposa dele trabalharam no gabinete de Flávio por quase cinco anos DEPOIS da expulsão.

A expulsão foi sob acusação de crimes graves.

Um deles? Tentar matar toda a família do desafeto de um bicheiro ao qual Adriano prestava serviços de segurança.

Como segurança de José Luiz de Barros Lopes, o Zé Personal, Adriano foi acusado de tentar executar a família do rival Rogério Mesquita, que sobreviveu e o denunciou.

Adriano teria, então, procurado a esposa do homem que tentou executar, para tentar demovê-lo da denúncia.

De acordo com O Globo, ela teria cobrado: por que tentar matar toda a família, inclusive os filhos, se a disputa era entre dois contraventores?

Resposta registrada nos arquivos: “No Iraque, quando se quer matar uma pessoa, explode-se um quarteirão inteiro, por isso é a lei do cão”.

Segundo a polícia, são palavras de um miliciano foragido que empregou mãe e esposa como funcionárias fantasmas no gabinete de um senador da República Federativa do Brasil.

Medo!

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