Itamaraty contraria Constituição e prega religião como política de Estado

Gio Mendes, do UOL
Durante uma conferência internacional organizada pelo governo de Viktor Orban, na Hungria, com o objetivo de combater a perseguição sofrida por cristãos pelo mundo, o embaixador Fabio Mendes Marzano afirmou ontem que o Brasil apoia a inclusão da fé na política. Marzano é secretário de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania. A secretaria foi criada em 10 de janeiro deste ano, após a publicação de um decreto que reformulou o Itamaraty.

O UOL esteve presente no evento, no qual Marzano apresentou a visão de mundo do novo Itamaraty, um ano depois da chegada ao poder do governo de Jair Bolsonaro. O secretário defendeu como política a meta de converter pessoas “que não têm uma religião” para o cristianismo.

A proposta de Marzano contraria a Constituição de 1988, que confirma o caráter laico do Estado. A Constituição também impede que um governo tenha uma relação de “aliança” com cultos religiosos ou igrejas, salvo no caso de interesse público.

O arcebispo Antoine Camilleri, vice-secretário do Vaticano para a Relação com os Estados vê um “desserviço” na mistura de política e fé. Camilleri participou da conferência e afirmou que a liberdade de religião é um dos pilares da diplomacia do papa Francisco e que o sofrimento de cristãos toca o centro do debate na Santa Sé. Porém, o arcebispo advertiu que existe um risco de que o novo foco de governos ao lidar com a fé possa “politizar a religião”.

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