Perfil do MEI muda nos últimos dois anos

O perfil do microeempreendedor individual tem mudado de forma acentuada, sobretudo nos últimos dois anos, quando o índice de desempregados no país bateu recorde, superando a casa dos 13 milhões de pessoas. Hoje, a cada três MEIs cadastrados, um deles tornou-se empreendedor motivado pela necessidade de uma fonte de renda. Jundiaí acompanha o perfil pesquisado pelo Sebrae. A cada 100 microempreendedores individuais, 57 são homens e 43 são do sexo feminino.

A cidade tem tem registrado constantes altas na abertura de empresas por meio do microempreendedorismo. De acordo com a Prefeitura de Jundiaí, entre 2010 e 7 de novembro deste ano, foram feitos 20.883 cadastros. De 2017 pra cá, foram três altas seguidas. Até o mesmo dia de novembro deste ano, a cidade registrava 2758 novos cadastros, ante 2191 em todo 2018 e 1674 no ano retrasado. A média de idade do microempreendedor individual é de 42 anos, sendo que 15% deles tem menos de 29 anos. A maior fatia da população que resolve abrir esse tipo de modalidade está na casa dos 30 a 39 anos. A cada dez empresários, três pertencem a essa faixa etária.

“A dificuldade de encontrar emprego em carteira assinada é um dos fatores que fizeram as pessoas a empreender, mas não o único. As empresas não vão mais investir em trabalhadores maciços. O quando é irreversível. A relação capital-trabalho sempre imperou no mundo moderno, mas hoje o trabalhador tem uma liberdade maior de criar”, avalia o diretor de fomento ao comércio e serviços da Prefeitura de Jundiaí, Julio César Durante.

Ainda de acordo com a mostra realizada pelo Sebrae, de cada 100 microempreendedores, 76 deles tem o MEI como única fonte de renda, sendo 28 como fonte única para toda a família. A média de renda da maioria gira entre dois e cinco salários mínimos, o que representa 52% da fatia. A renda domiciliar média do trabalhador nesta modalidade é de R$ 4.400.

O motorista de aplicativos Walmir Camargo Moura ilustra uma tendência que também cresce no mesmo segmento. Os assalariados que deixaram o mercado formal em busca de mais liberdade e flexibilidade representam 32% dessa fatia. A cada cem MEIs, 11 deles tem a rua como local de trabalho, 28 abriram um estabelecimento fixo e 40 exercem as atividades de dentro de casa. “Eu me sinto com mais liberdade, faço meus horários, bem diferente do que fazia anos atrás. É uma tendência”, garante o motorista.

“Entre as mulheres, os serviços voltados para a saúde e bem-estar, como salões de beleza, estão entre as mais procuradas. Já os homens também abrem salões de cabeleireiro, mas também abrem muitos comércios de alimentos”, salienta o gerente regional do Sebrae Jundiaí, Thiago Alexandre Brandão Farias.

JORNAL DE JUNDIAÍ