PERÍODO DE TRANSIÇÃO – Em evento, Barroso analisa “tempestade perfeita” no momento político brasileiro

Barroso brincou com Deltan sobre importância da privacidade digital

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso subiu ao palco do Teatro Municipal de Santo André, nesta sexta-feira (25/10), sob forte aclamação dos presentes, para ser o último palestrante no 7° Congresso de Direito Constitucional, promovido pela Faculdade de Direito (Fadisa).

Destacando a revolução tecnológica da era digital, Barroso falou da importância e valor na atualidade da informação e da propriedade intelectual. Mas apontou também os riscos dos discursos de ódio e campanhas de desinformação propagadas na internet. Aproveitou para brincar seguidamente com o procurador Deltan Dallagnol, também presente, sobre os perigos da perda de privacidade.

Depois, o ministro classificou como “tempestade perfeita” o conjunto de difíceis mudanças políticas da última década, que criaram uma onda de insatisfação e pessimismo no país. Esse período de transição para um novo país, segundo o ministro, é algo pelo qual “temos que passar” para tornar o Brasil melhor.

Buscando um diagnóstico para o atraso da nação, Barroso destacou a falta de investimento histórico em educação básica, a criação de um Estado grande com uma economia fechada e a “apropriação privada do Estado” por elites políticas por meio de propinas e corrupção.

O ministro também destacou no evento o avanço das pautas progressistas no Poder Judiciário, como garantidor dos direitos das minorias.

Como possíveis remédios para alguns dos males do país, defendeu a reforma do sistema político e eleitoral. Destacou a importância do enfrentamento dos problemas da violência e do hiperencarceramento, por meio de mudanças na política de drogas. Também afirmou que é essencial combater a corrupção sistêmica.

“Há no Brasil, desde sempre, um pacto oligárquico para saquear o país,” afirmou. Falou dos avanços na sociedade civil para rejeitar esta cultura, para demandar uma mudança de paradigma. “Mas o pacto reage”, observou.

CONJUR