Raízes corruptas do Brasil (como funciona o sistema)

Raízes
corruptas do Brasil (como funciona o sistema)
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LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista e criador do movimento Quero
Um Brasil Ético. Estou no f/luizflaviogomesoficial
1. No livro Dinheiro, eleições e poder(Companhia das
Letras, 2018), Bruno Carazza mergulhou fundo na análise de uma questão crucial:
como os donos corruptos do dinheiro mandam no Brasil, seja comprando o sistema político (ou seja, o poder), seja interferindo no sistema jurídico
(particularmente nas Cortes onde os juízes são indicados politicamente). 
2. O sistema
político brasileiro (ressalvadas algumas exceções) não é, como muitos ilusoriamente
acreditam, um espelho da sociedade. A crença de que os políticos são o retrato
do povo é um mito. Os políticos
comprados são o reflexo fiel dos que mandam neles e no país

(leia-se, dos endinheirados corruptos que financiam suas campanhas eleitorais).
3. Nossos políticos (ressalvadas as almas boas)
não representam os interesses do povo, embora eleitos por ele
. Se
democracia é o governo eleito pelo povo e para o povo, definitivamente, o
Brasil não é uma democracia verdadeira. Nossa democracia é puramente formal
(Schumpeter). Acima de tudo, ela é muito venal.
4. Os políticos (corruptos) cuidam (como
qualquer capataz de fazenda) dos interesses daqueles que dão dinheiro para eles
alcançarem suas conquistas eleitorais
(ou seja, para se manterem no poder).
Como temos muitos corruptos no Brasil, somos
uma das mais prósperas cleptocracias do mundo
(clepto = ladrão; cracia =
governo).
5. Não existe
crise de representatividade no sistema político nacional. Os que nos governam, com poucas defecções, representam os interesses
(isto é, são despachantes) dos que efetivamente mandam neles e na nação em
razão do seu dinheiro
(umas 30 famílias e menos de 500 empresas, como
explica Carazza no livro citado). São eles os que mais financiam as campanhas
eleitorais (tendo assim, acesso ao poder).
6. Não há como
negar que o Brasil é uma plutocracia
(governo de alguns endinheirados), desde 1500. A nata excelsa do seleto clube formado por esses ladrões do dinheiro
público e da felicidade dos brasileiros
não chega a mil pessoas (físicas e jurídicas). É inacreditável como
a vontade de mil pessoas se sobrepõe, sem contestação séria,à felicidade e às
necessidades básicas de mais de 200 milhões.
7. A Lava Jato
já começou a mostrar as caras de alguns deles. Mas ainda tem muito trabalho
pela frente. De qualquer modo, é certo que nenhum
clube de ladrões dura cinco séculos sem enraizadas conexões com as instituições
do país.
Que tampouco cuidam, em geral, dos interesses da população. As
instituições são criadas de acordo com o figurino dado pelos interesses
prioritários dos criadores.
8. Isso explica
porque nossas instituições (políticas,
econômicas, jurídicas e sociais) são muito frágeis
, mas ao mesmo tempo extremamente funcionais para a prosperidade do
capitalismo de compadrio
(de laços, de amizades), desenhado e administrado pela
referida confraria de larápios.
9. A questão não
é que o brasileiro não sabe votar. Frequentemente ele nem sequer tem em quem
votar com confiança, ética e esperança, porque o sistema se fecha de tal
maneira que nem sequer deixa alternativas para a eleição.
10. A questão
grave e muito séria é que, nas
cleptocracias, sempre existe um grupo restrito de endinheirados corruptos que compra
os políticos (e governantes) para se apoderarem do poder
(e do Estado). Esse
é o âmago da questão brasileira.
11. Uma grande parte
do Estado brasileiro sempre foi sequestrada por um abjeto clube de ladrões. Aqui reside a raiz corrupta do poder no
Brasil.
Enquanto não faxinarmos com valentia e firmeza os ladrões,
corruptos e aproveitadores que mandam na nossa nação nunca sairemos do
subdesenvolvimento. Voto faxina nos
políticos corruptos. Império da lei contra os ladrões
(sobretudo
endinheirados) da República.
Voto faxina nos políticos corruptos.
Império da lei contra os ladrões
da República.
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