Após fuga no Paraguai, ao menos 26 presos ligados ao PCC escapam no Acre…

Corredor da Unidade Penitenciária Doutor Francisco D’Oliveira Conde, em Rio Branco (AC)Imagem: Luiz Silveira/Agência CNJ

Luís Adorno e Wanderley Preite Sobrinho

Ao menos 26 presos pularam uma muralha de três metros e fugiram do principal presídio de Rio Branco, capital do Acre, na madrugada de hoje. A informação foi confirmada pela Sejusp (Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública). Todos são ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) ou ao B13 (Bonde dos 13), facção criminosa local que tem parceria com o grupo paulista. Por volta das 8h no horário local (11h no horário de Brasília), apenas um dos fugitivos havia sido recapturado. Os presos deixaram o pavilhão L do presídio Francisco de Oliveira Conde, local que abriga, além de membros do PCC e B13, integrantes de outras duas facções que agem no Acre: CV (Comando Vermelho) e Ifara.

A fuga ocorreu um dia depois de 75 presos, sendo 40 brasileiros, terem fugido da prisão de Pedro Juan Caballero, cidade do Paraguai que faz fronteira com o Mato Grosso do Sul. Entre os 75, há acusações de pertencerem ou colaborarem com o PCC. Investigadores brasileiros apuram se há ligação entre as fugas de ontem e de hoje. Segundo a juíza Luana Campos, da 1ª Vara do Júri de Rio Branco, o número de fugitivos foi de 27. “São do PCC e do Bonde dos 13. O caos está instalado no sistema prisional do Acre. Ainda não sabemos a dinâmica de como eles conseguiram fugir, mas eles pularam a muralha, que tem três metros de altura”, afirmou à reportagem.

Rio Branco e Pedro Juan Caballero são territórios extremamente estratégicos para o PCC. As duas cidades são utilizadas pela facção para trazer cocaína de países andinos ao Brasil. Uma vez no território nacional, a droga é enviada aos principais portos do país e, de lá, exportada para países da Europa, África e Ásia dentro de navios. Além do sistema prisional, a segurança pública do Acre também está em xeque. Nos primeiros 18 dias do ano, foram registrados 30 assassinatos. Só na madrugada do último sábado (18), num período de três horas, sete homens foram mortos a tiros. Segundo investigadores locais, a principal suspeita é de que membros do PCC e B13 estejam fazendo uma ofensiva contra o CV na região.

Bernardo Albano, promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), informou que ainda é cedo para formular hipóteses. “Quanto que a fuga contou com planejamento de fora do estado, acho que isso aí ainda é especulação. Ainda não chegaram aqui os nomes dos foragidos. Muito cedo para formular hipótese. Primeiramente temos que levantar quem são os foragidos”, disse.

Posicionamento do governo do Acre No fim da manhã (em horário de Brasília), a Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública vem, informou que “tão logo ficaram cientes do ocorrido, o efetivo da Polícia Penal foi acionado para a contagem dos presos que fazem parte do pavilhão L e cumprem pena em regime fechado naquela unidade”. Em nota, a pasta informou que os detentos fizeram um buraco na parede da cela e, com lençóis, confeccionaram cordas escapando pela muralha. “Todas as forças de segurança do Estado foram acionadas e várias medidas operacionais estão sendo realizadas para captura dos foragidos.”

Entre as medidas, o governo listou as seguintes: O reforço das barreiras policiais na capital e municípios com o apoio da Polícia Rodoviária Federal e 4° BIS – Exército Brasileiro, nas barreiras em rodovias federais; Acionamento da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Rondônia e do Amazonas para implantação de barreiras e fiscalização nas áreas de fronteira e rodovias federais;

Acionamento da Polícia Federal para apoio com equipes de inteligência para avaliação das circunstâncias de fuga, bem como o apoio de fiscalizações em aeroportos; Acionamento do Centro Integrado Regional de Inteligência para apoio quanto à produção de conhecimento sobre o ocorrido; Determinação para realização de revistas em todos os presídios do estado, com vistas a evitar novas fugas;

Acionamento dos corregedores da Polícia Militar e Polícia Penal para instaurar apuração imediata de eventuais responsabilidades pela fuga no aspecto administrativo, visto que a Polícia Civil irá atuar no aspecto penal; Solicitação de apoio do Ministério Público e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para acompanhar as ações de investigação durante as ações que vão apurar eventuais responsabilidades pela fuga dos detentos.

Ouça também o podcast Ficha Criminal, com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil. Este e outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e outras plataformas de áudio.

UOL