Bolsonaro reclama de repercussão de atos: doutrinação formando militantes…

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou hoje a atacar os protestos antirracistas e que levantam pautas em defesa da democracia e com críticas ao governo. Em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, ele afirmou que a mobilização realizada em várias cidades do país no fim de semana é reflexo do que ele entende ser uma “doutrinação em cima do Brasil” que “cada vez mais forma militantes”. Ontem, ocorreram manifestações contra o governo no país inteiro, mais notadamente em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Os protestos acabaram encorpadas pelo movimento negro, inflamado no mundo todo com o assassinato do americano George Floyd. Aqui, casos de pessoas vítimas de violência policial, como João Pedro e Ágatha Félix também foram lembrados.

Na última sexta-feira (5), o presidente já havia se referido aos manifestantes como “terroristas, marginais, maconheiros e desocupados”. “Ontem para a grande mídia só os democratas, sem comentários. Mas são 30 anos de doutrinação em cima do Brasil, massificação, cada vez mais formando militantes. E tem gente que não faz por maldade, é que está na cabeça dele mesmo”, disse Bolsonaro, para quem existe “muitos interesses de dentro e de fora”. A conversa foi exibida posteriormente por perfis em seu apoio nas redes sociais.

O presidente ainda falou que visto na rua ontem é o “grande problema no momento”. “Tão começando a botar as mangas de fora”, disse. Mais cedo, o presidente postou uma imagem de um boneco de cabeça para baixo, com uma faixa presidencial no peito, e questionou se aqueles manifestantes eram os verdadeiros democratas. Diante da concordância com os apoiadores, Bolsonaro ainda falou em guerra para o Brasil não virar uma Venezuela, país que é governado pela esquerda. “A gente vai vencer essa guerra, o Brasil não vai para a esquerda, não vai afundar, não vai virar uma Venezuela”, disse.

Bolsonaro ainda disse que não coordena os movimentos a seu favor, que ontem tiveram menor adesão depois de pedidos do próprio presidente na última semana para evitar. “Ontem não era o caso (de ir para a rua seus apoiadores), eu não coordeno esse movimento”. No começo da conversa, Bolsonaro ainda repetiu que pegou um país com problemas e é preciso paciência para que ele consiga implementar as medidas desejadas por apoiadores.

“Pessoal, vocês têm que entender como eu peguei esse país. Vocês tem razão com o que pleitear, mas eu peguei um corpo com câncer em tudo quanto é lugar. Um médico não pode de uma hora para outra resolver esse problema todo”. Ainda no sentido de dizer que é difícil “resolver os problemas” do Brasil, ele disse. “Vou indicar o primeiro ministro do STF agora em novembro, a gente vai arrumando as coisas devagar aqui”.

UOL