Com votação remota, Câmara gasta menos com passagens e custo do Cotão despenca

Bilhetes consumiram 99% menos

Deputados ficam nos Estados

Os gastos com a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar da Câmara, mais conhecida como “Cotão”, despencaram nos primeiros 32 dias da votação remota.

De 18 de março a 18 de abril de 2020 foram 48% a menos na comparação com o mesmo período de 2019. Em valores absolutos: passaram de R$ 19,7 milhões para R$ 10,3 milhões.

O Cotão é 1 valor mensal que a Câmara banca a cada deputado para pagar passagens aéreas, escritórios políticos fora do Congresso, divulgação do mandato e outras despesas.

A quantia varia de acordo com o Estado do congressista, por causa dos custo das passagens. Deputado do Distrito Federal, por exemplo, têm direito a usar 1 montante menor (R$ 30.788,66) que os de Roraima (R$ 45.612,53). Leia todos os valores neste link.

O resultado foi puxado pelas passagens aéreas. A Câmara está funcionando em regime de votação remota para evitar que os corredores e o plenário fiquem lotados durante a pandemia.

Os deputados podem participar das sessões por seus celulares. A maioria tem ficado nos Estados de origem. Os que comparecem presencialmente passaram a sair menos de Brasília. Antes, esses deslocamentos eram semanais para quase todos os deputados.

Dessa forma, o gasto com passagens aéreas foi de R$ 6,97 milhões de 18 de março a 18 de abril de 2019 para R$ 69.644 no mesmo período deste ano. A baixa foi de cerca de 99%. O número inclui tanto bilhetes que deixaram de ser comprados quanto créditos de passagens devolvidas.

Os dados são oficiais. Ainda não é possível comparar os números mais recentes com os de 2019 porque os deputados têm até 90 dias para apresentar as notas fiscais e pedir reembolso das despesas.

É provável que essa economia quase total com passagens aéreas esteja diminuindo. No início da quarentena era raro encontrar no Congresso 1 deputado que não estivesse participando presencialmente do Plenário. Agora tem sido mais comum.

Apenas 3 tipos de despesa que podem ser pagas com o Cotão subiram no período analisado. Em termos absolutos, o mais significativo foi a manutenção de escritório fora do Congresso.

De 18 de março a 18 de abril de 2019, o gasto foi de R$ 1,96 milhão. Em 2020, R$ 2,08 milhões, alta de 6%.

Subiram também os aluguéis de barcos e de aviões. Os deputados que mais usam esses serviços são os da região Norte, que têm uma infraestrutura de transporte menos desenvolvida.

No período analisado, o maior contrato de aluguel era do gabinete de Silas Câmara (Republicanos-AM). “No Amazonas é assim. Se quiser ir, é avião terrestre ou anfíbio”, disse ao Poder360.

O período analisado começa em 18 de março porque a resolução que instituiu a votação remota na Câmara foi aprovada na véspera.

PODER 360