DF: advogados aplicam golpe da pirâmide financeira e enganam até policiais

O rastro do prejuízo deixado pelos suspeitos ultrapassa meio milhão de reais e envolveu pelo menos 10 vítimas, parte servidores públicos

 

Um grupo de advogados é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal por aplicar golpes e conduzir esquema criminoso envolvendo pirâmides financeiras. O rastro do prejuízo deixado pelos suspeitos ultrapassa meio milhão de reais e envolveu pelo menos 10 vítimas, a maioria servidores públicos, entre eles quatro policiais civis. O inquérito é apurado pela Coordenação de Repressão à Fraudes (Corf). Todos os golpes foram aplicados entre agosto do ano passado e abril deste ano.

homem de barba

Glauber Melo Nassar

O operador do esquema e responsável por captar investidores para engrossar a base da pirâmide era o advogado Glauber Melo Nassar, 38 anos, segundo todas as vítimas que prestaram depoimento à PCDF. O advogado se dizia uma espécie de “trader” – profissional especializado em operações no mercado financeiro.

Nassar prometia rentabilidade vertiginosa, com ganhos de 10% mensais sobre o valor investido. Com todos os investidores, o advogado assinava contrato, garantindo a efetividade dos pagamento.

Para muitas vítimas, Nassar garantia que os valores seriam investidos na bolsa de valores, mas o dinheiro era revestido para a alimentação da pirâmide financeira da qual outros advogados participariam na base e teriam seus ganhos garantidos com a manutenção do esquema. Após a quebra da corrente financeira, quem amargaria os prejuízos seriam justamente os últimos investidores a embarcarem no esquema fraudulento.

Dinheiro de uma vida

Parte das vítimas perdeu economias de uma vida, dinheiro amealhado ao longo de

suas carreiras profissionais e até recursos de aposentadorias. Uma das pessoas que teve o maior prejuízo é escrivão da PCDF. Ele contou em depoimento que, de junho a novembro do ano passado, fez uma série de investimentos com o grupo, totalizando R$ 238 mil. O policial chegou a pedir emprestado R$ 100 mil à mãe para ajudar a aumentar o aporte financeiro.

Segundo o escrivão, alguns contratos tinham a obrigação de repassar, mensalmente, 10% sobre o valor aportado. O advogado captador teria afirmado que investimentos superiores a R$ 100 mil pagariam a porcentagem de 12%. Seduzido pela suposta rentabilidade, o policial caiu no golpe.

Ele conheceu Glauber Melo Nassar em festa agostina de uma comunidade evangélica, onde outros policiais civis também estavam e resolveram investir. A promessa era a mesma: garantir o pagamento mensal de 10% sobre o valor aplicado. No entanto, a partir de março deste ano, os advogados deixaram de fazer os repasses.

Inicialmente, de acordo com o policial, Nassar apresentava desculpas, afirmando ter esquecido de depositar o dinheiro. Em outras oportunidade, o advogado dizia que acompanhava a mãe no hospital, entre outras justificativas.

Quebra de contrato

O mesmo modus operandi adotado pelo advogado é narrado por praticamente por todas as vítimas. Após atrasar os pagamentos depois que a pirâmide financeira se rompeu, Nassar afirmava que havia rompido os contratos unilateralmente e que o valor total aportado, além do pagamento dos juros, seriam quitados – o que nunca ocorria. Outro policial civil alvo do grupo amargou um prejuízo estimado em R$ 98 mil.

O policial também havia conhecido Nassar por meio de amigos em comum e aceitou investir. Em depoimento, ele contou que entre junho e dezembro de 2019 fez uma série de investimentos com Nassar. No entanto, a partir de abril deste ano, o advogado cortou os repasses e passou a inventar uma série de desculpas para justificar a inadimplência. O golpista chegou a marcar uma reunião com três policiais para entregar cheques com os valores devidos, mas nenhum deles tinha fundos.

Metrópoles tentou entrar em contato com os advogados por meio de telefones comerciais, residenciais e móveis, mas nenhum deles atendeu as ligações até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto a manifestações.