Embora proibido, Weintraub fechou contratos de R$ 12,6 milhões com ex-esposa de Wassef no MEC

Ao todo, a empresa de informática Globalweb Outsourcing recebeu R$ 41,6 milhões durante o governo de Jair Bolsonaro

O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub fechou dois contratos de R$ 8,7 milhões e R$ 3,9 milhões cada com uma empresa ligada à ex-mulher e sócia de Frederick Wassef, advogado que abrigou Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), em sua chácara em Atibaia (SP).

O contrato mais recente, de R$ 8,7 milhões, foi assinado em fevereiro deste ano com a Globalweb Outsourcing, empresa fundada por Cristina Boner Leo e hoje administrada por Bruna Boner, filha de Cristina.

De acordo com o documento, a empresa foi contratada para prestar serviços especializados de “gerenciamento técnico, operação e sustentação de infraestrutura de Tecnologia da Informação e Comunicação” ao MEC. Ao todo, foram 13 itens contratados pela pasta, o que totaliza R$ 8.716.155,16.

O segundo contrato, desta vez de R$ 3,9 milhões, foi assinado em 31 de dezembro de 2019 e destinado à Fundação Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Segundo levantamento feito pelo UOL, a empresa ligada à ex-esposa de Wassef recebeu, ao todo, R$ 41,6 milhões no governo Bolsonaro. O valor se refere a pagamentos efetuados entre janeiro de 2019 e junho deste ano.

Questionado sobre os contratos, Wassef afirmou que os negócios da empresa não têm relação com ele. No entanto, até o ano passado, ainda de acordo com o UOL, o advogado era representante legal de Cristina em processos judiciais.

Exclusivo: Ex-esposa de Wassef foi proibida pela Justiça de “contratar com o Poder Público”

Em junho de 2019, o Ministério Público acusou Maria Cristina de participar em “esquema ilícito” para favorecê-la em licitação. Hoje, sua empresa assina contratos com o governo no nome de sua filha

A ex-esposa de Frederick Wassef, amigo do presidente Jair Bolsonaro e ex-advogado de Flávio Bolsonaro, Maria Cristina Boner Leo, foi proibida judicialmente em 2019 de contratar com o Poder Público ou receber benefícios pelo período de três anos.

No entanto, a Globalweb Outsorcing, empresa de informática de Maria Cristina e que hoje é administrada por sua filha, Bruna Boner Leo, já recebeu R$ 41 milhões em contratos assinados com o governo de Jair Bolsonaro. Conforme noticiado pela Fórum nesta segunda-feira (22), ao menos R$ 12,6 milhões deste valor foi fechado com o Ministério da Educação.

A decisão que impediu Maria Cristina de contratar com o Poder Público foi decretada em 24 de junho de 2019. De acordo com o processo judicial, houve direcionamento de licitação para a contratação da empresa B2BR, cuja representante na época era Cristina, pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). O valor do contrato era de R$9,8 milhões.

“A requerida participou de esquema ilícito com agentes públicos, e foi favorecida em contratação com o Poder Público, posteriormente reconhecida como nula”, diz o processo.

Representação no TCU

O fato de a empresa estar vinculada a Maria Cristina, associado ao aumento considerável no volume de pagamentos à Globalweb Outsourcing durante a gestão Bolsonaro, levantou suspeitas no Ministério Público de Contas.

De acordo com Reinaldo Azevedo, no UOL, em reportagem publicada nesta terça-feira (23), o órgão entrou com uma representação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo que se apure se Wassef teve alguma interferência nos contratos entre o governo e a empresa de Maria Cristina.

Até então, Wassef tem dito que os negócios da empresa não têm relação com ele. No entanto, até o ano passado, de acordo com o UOL, o advogado era representante legal de Cristina em processos judiciais.

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