Lava Jato mira José Serra por lavagem de dinheiro

PF cumpre mandados de busca em SP

Tucano é 1 dos caciques do PSDB

Teria recebido dinheiro da Odebrecht

A Polícia Federal cumpre na manhã desta 6ª feira (3.jul.2020) mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador José Serra (PSDB-SP) em São Paulo.

Poder360 entrou em contato com a assessoria do senador, mas ainda não obteve retorno.

Os mandados ocorrem na operação Revoada, que se baseia em denúncia da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo que aponta 1 suposto esquema de lavagem de dinheiro no exterior que favorecia políticos. No total, foram 8 mandados cumpridos em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Não há informações sobre mandados de prisão sendo cumpridos.

De acordo com a denúncia, Serra teria se aproveitado de seu cargo e influência política para receber pagamentos indevidos da empreiteira Odebrecht. Em troca, concederia benefícios relacionados às obras do Rodoanel Sul.

De acordo com o MPF (Ministério Público Federal), a Odebrecht pagou a José Serra cerca de R$ 4,5 milhões entre 2006 e 2007, supostamente para usar nas suas campanhas ao governo do Estado de São Paulo, e cerca de R$ 23 milhões (atualizados em R$ 191,5 milhões), entre 2009 e 2010, para a liberação de créditos com a Dersa, estatal paulista extinta em 2019.

Os pagamentos teriam sido feitos por meio de uma rede de empresas no exterior, para que os nomes das pessoas beneficiadas não fossem detectados pelos órgãos de controle.

A filha de Serra, Verônica, e o empresário José Amaro Pinto Ramos teriam constituído empresas no exterior, ocultando seus nomes, para poder receber os pagamentos destinados a Serra. De acordo com o MPF (Ministério Público Federal), Ramos e Verônica transferiram o dinheiro para dissimular sua origem.

Com as provas colhidas até o momento, o MPF obteve autorização na Justiça Federal para o bloqueio de cerca de R$ 40 milhões em uma conta na Suíça.

Segundo a jornalista Bela Megale: “Em 2016, o tucano marcou um encontro com um dos delatores da Odebrecht, que prometia entregar aos investigadores fatos ilícitos envolvendo Serra e sua filha, Verônica. A reunião secreta aconteceu na casa de um funcionário do senador, em uma comunidade, em São Paulo”.

Ainda segundo relato de Megale, “a conversa foi difícil. Serra chorou, desesperou-se, e suplicou para que o executivo o poupasse. Aos prantos, o tucano disse que sua vida estaria acabada”.

O encontro não surtiu efeito. Serra foi delatado. Agora, 4 anos depois da conversa, foi alvo de denúncia e de buscas da Lava-Jato.

OUTRO LADO

O senador divulgou nota na manhã de 6ª, dizendo que a operação lhe causou “estranheza e indignação” e que as medidas foram “invasivas e agressivas”. Eis a íntegra:

“Causa estranheza e indignação a ação deflagrada pela Força Tarefa da Lava Jato de São Paulo na manhã desta sexta-feira (3) em endereços ligados ao senador José Serra. Em meio à pandemia da Covid-19, em uma ação completamente desarrazoada, a operação realizou busca e apreensão com base em fatos antigos e prescritos e após denúncia já feita, o que comprova falta de urgência e de lastro probatório da Acusação.

É lamentável que medidas invasivas e agressivas como a de hoje sejam feitas sem o respeito à Lei e à decisão já tomada no caso pela Suprema Corte, em movimento ilegal que busca constranger e expor um senador da República.

O Senador José Serra reforça a licitude dos seus atos e a integridade que sempre permeou sua vida pública. Ele mantém sua confiança na Justiça brasileira, esperando que os fatos sejam esclarecidos e as arbitrariedades cometidas devidamente apuradas.

Assessoria de Comunicação
Senador José Serra (PSDB/SP)”

PSDB DEFENDE SERRA

Em nota no Twitter, o partido afirmou que “confia na história do senador José Serra”.

“O PSDB acredita no sistema judicial do país e defende as apurações na utilização de recursos públicos, ao mesmo tempo em que confia na história do Senador José Serra e nos devidos esclarecimentos dos fatos”, diz a nota.

QUEM É JOSÉ SERRA?

Reprodução Moreira Mariz/ Agencia Senado

O tucano é dos caciques do PSDB. Foi prefeito de São Paulo de 2005 a 2006 e governador do Estado de 2007 a 2010. No governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) foi ministro das Relações Exteriores e deixou o cargo em 2017. Atualmente é senador. Eis o currículo de Serra disponibilizado no site do PSDB:

“Senador por São Paulo, cargo para o qual foi eleito em 2014 com mais de 11 milhões de votos. Formado em Engenharia e Economia, foi secretário estadual, deputado federal por duas vezes, senador da República, ministro do Planejamento e Orçamento, ministro da Saúde, ministro das Relações Exteriores, prefeito e governador do estado de São Paulo, além de presidente nacional do PSDB entre 2003 e 2004. Disputou a Presidência da República pelo PSDB em 2002 e 2010. Entre suas realizações na vida pública, estão a implantação da comercialização dos medicamentos genéricos e o programa de combate à aids, reconhecido como um dos melhores do mundo.”

Poder360