Mãe de Emanuelle sobre assassino: ‘Preferia que pagasse na cadeia’

A menina Emanuelle Pestana de Castro, 8 anos, encontrada morta em Chavantes (SP) (13/01/2019) Reprodução/TV Globo

Fabiana Aparecida Pestana diz que lavrador que teria matado sua filha foi ‘cínico’ ao ter ajudado nas buscas por corpo

Se tivesse a oportunidade de olhar nos olhos do suposto assassino de sua filha, Fabiana Aparecida Pestana, mãe da menina Emanuelle Pestana de Castro, de 8 anos, questionaria: “Por que interrompeu a vida de uma criança? Por que tirou um pedaço de mim? Por que acabou com a minha família inteira?”, desabafa, chorando, em conversa com VEJA. Na cadeia, o suposto assassino, Aguinaldo Guilherme de Assunção, que confessou ter matado Emanuelle a facadas, foi encontrado morto nesta quarta-feira 15, no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Cequeira César. Fabiana não celebra a notícia. “Preferia que pagasse na cadeia, vivo, que sofresse aos poucos, e sentisse a dor que estou sentindo na pele.”

Moradores de Chavantes e Irapé não deixaram que Aguinaldo fosse sepultado no cemitério da cidade, tendo que ser feito no Cemitério da Saudade, em Ourinhos, cujos moradores também protestaram, indignados (Jornal TABLÓIDE).

Assunção, de 49 anos, participou das buscas pelo corpo de Emanuelle, que desapareceu na última sexta-feira 10, junto a familiares e amigos. Foi encontrada morta na noite da segunda-feira 13, perto de um córrego em uma área rural de Chavantes (SP), depois que o lavrador confessou o crime à polícia. “Foi cínico e cara de pau. Não queria ajudar. Era um assassino de criança”, acusa a mãe, que diz não ter “qualquer relação” com Assunção. “Nem o conhecia. Ele passava pelo mesmo corredor, da vila de casas onde moro, mas para ver o enteado dele, que morava na casa ao fundo. Nunca nem trocamos palavras.”

Até agora, não se conforma com o motivo do crime alegado por Assunção, que confidenciou à polícia que não gostou da decisão de Fabiana de proibir Emanuelle de brincar com seu enteado. Por telefone, ela conta que aconselhou a filha a não brincar mais com o menino, porque ele era mais velho, e também porque preferiria que Emanuelle tivesse amigas meninas. “Mas isso não tem nada a ver isso. A justificativa não convence. O que justifica a morte de uma criança? Nada”, desabafa.

Evangélica frequentadora da igreja Universal, Fabiana, de 35 anos, pretende seguir morando em Chavantes com os dois filhos, Paulo Henrique, 6, e Giovana, 18, e o neto Heitor, de apenas um mês. É separada de Paulo César, pai de Emanuelle, e de seus outros dois filhos. Em casa, conta que tem recebido muito apoio da família e população da cidade de 12 mil habitantes. “Recebo gente direto aqui em casa, que oferece ajuda para tudo que precisar”, diz. Já a casa onde morava o enteado de Aguinaldo, e seus pais, está vazia. “Tiveram que sair, porque a população ficou indignada, e começou a ameaçar”, explica.

Fabiana ficou traumatizada com a praça onde a filha saiu para brincar no parquinho antes de desaparecer. “Não consigo mais passar nem em frente”, relata. E diz que lembrará da filha como uma menina “alegre”, “brincalhona”, “que gostava de vê-la sempre feliz” e “extremamente vaidosa”. “Não perdia a oportunidade de passar um batom. Tinha oito anos mas sabia se arrumar. Era cativante.”

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