Major Olímpio diz que governo ofereceu verba de combate ao coronavírus por apoio político

Dinheiro de portaria do Ministério da Saúde teria sido oferecido como emenda parlamentar para garantir apoio futuro ao governo, diz senador

O senador Major Olímpio (PSL-SP) acusou o governo Bolsonaro de oferecer verba do combate ao coronavírus para comprar o apoio político de parlamentares.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo publicada nesta sexta-feira 17, Olímpio, um ex-aliado de Bolsonaro, disse que o dinheiro é proveniente de uma portaria do Ministério da Saúde que destina dinheiro para a compra de suprimentos no enfrentamento da pandemia, mas que parcelas de R$ 30 milhões e R$ 15 milhões foram distribuídas pelo fator político, e não de saúde pública, segundo sua interpretação.

“Me ofereceram R$ 30 milhões. Dinheiro da covid-19”, disse Olímpio ao jornal. A verba seria paga por meio de emendas parlamentares e, por não ter sido oferecida a todos os senadores por critérios técnicos da situação de saúde de cada local, conta o senador, o valor teria como objetivo cravar apoio ao governo no Congresso Nacional em votações do futuro.

“O parlamentar distribuiu o dinheiro para as bases dele. Ele não combinou com o vírus. Onde era necessário por o recurso? Onde está morrendo gente. […] Em vez disso, é a planilha do senador que vale.”, declarou o senador.

Ao jornal, os senadores Marcos do Val (Podemos-ES) e Plínio Valério (PSDB-AM) confirmaram parte do relato do Major Olímpio. Valério disse que foi procurado pela assessoria da Presidência para destinar R$ 20 milhões a municípios de sua escolha, mas que não houve negociação explícita de apoio – apesar dele acreditar que o governo tira proveito da verba para “fazer uma média”.

Do Val, por sua vez, disse à reportagem que procurou o governo por conta própria ao ver a publicação da portaria do Ministério da Saúde do último dia 1º, pela qual foram liberados R$ 13,8 bilhões para a compra de insumos médicos, contratação de profissionais e outros serviços no combate à pandemia.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição no Senado, afirmou que não foi procurado pelo governo, assim como outros senadores da oposição, para verificar interesse em destinar verba de emendas para os municípios de seus respectivos estados.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que foram estabelecidos critérios “técnicos” para a distribuição do dinheiro. O Palácio do Planalto não se manifestou.

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