O presidente Cavalo de Tróia

Em continuidade ao meu último texto, no qual analisei o caráter performático e vazio de Jair Bolsonaro, analiso agora quais programas embarcaram em sua candidatura e conseguiram usar de um atalho para chegar ao poder.

Não tendo um conteúdo programático a conduzi-lo, sendo apenas vendedor de si mesmo, Bolsonaro precisava ocupar seu vazio com programas de terceiros, programas capazes de – ao menos para o futuro presidente – garantir base política e social para seu governo. E aqui entram os grupos programáticos que bancaram Bolsonaro.

Tais grupos se assemelham aos guerreiros gregos às portas de Tróia. A diferença é que sempre lutaram separados, tentando entrar na cidadela. Tróia, no caso é o Estado brasileiro e tais grupos representam forças sociais do país que nunca conseguiram – e certamente, nunca conseguiriam – entrar por conta própria no coração do poder nacional. Bolsonaro é o cavalo de madeira, pura aparência falsa – pois uma imitação – e completamente vazio em seu interior.

Bolsonaro precisava de programas e tais grupos precisavam de elegibilidade, então “juntou-se a fome com a vontade de comer”.

São quatro os grupos programáticos que embarcaram no presidente cavalo de Tróia:

1) Os fundamentalistas religiosos, oriundos sobretudo das igrejas evangélicas. Certamente, este grupo é o mais antigo a estar junto com Bolsonaro. Na verdade, ao que parece, a relação entre o futuro presidente e os fundamentalistas surgiu muito mais enquanto uma aliança, mas acabou evoluindo para uma situação de acoplagem troiana, onde destacam-se os nomes de Magno Malta, antigo aliado de Bolsonaro, e Silas Malafaia, este mais pragmático e próximo do embarque troiano analisado por mim. Além das pautas moralistas, tal grupo também visa interesses econômicos na sociedade e no Estado, seja ocupando cargos chaves, seja ampliando o escopo de atuação de suas organizações econômicas: TVs, rádios, “clínicas”, empresas de “entretenimento”, etc.

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