Pandemia é maior desafio desde Segunda Guerra, alerta ONU

Debate no Conselho de Segurança da ONU

A pandemia do coronavíus é a crise mais desafiadora que o mundo enfrenta desde a Segunda Guerra Mundial e poderá gerar uma recessão inédita nos últimos 75 anos. O alerta foi lançado pelo secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. Algumas projeções indicam que o mundo poderá contar com 1 milhão de casos confirmados até o fim de semana. Mas o temor do chefe da diplomacia das Nações Unidas é de que tal crise aumente a “instabilidade, a agitação e o conflito” no mundo.

A pandemia do coronavíus é a crise mais desafiadora que o mundo enfrenta desde a Segunda Guerra Mundial e poderá gerar uma recessão inédita nos últimos 75 anos. O alerta foi lançado pelo secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. Algumas projeções indicam que o mundo poderá contar com 1 milhão de casos confirmados até o fim de semana. Mas o temor do chefe da diplomacia das Nações Unidas é de que tal crise aumente a “instabilidade, a agitação e o conflito” no mundo.

Seu recado foi dado enquanto lançava um informe sobre os impactos socioeconômicos da pandemia. O temor das entidades internacionais é de que, diante da crise, a pobreza sofra um salto significativo nos próximos meses. Apenas na Ásia, o Banco Mundial estima que 11 milhões de pessoas poderão ser jogadas para baixo da linha da miséria. “Estamos enfrentando uma crise de saúde global diferente de qualquer outra nos 75 anos de história das Nações Unidas – uma crise que está matando pessoas, espalhando o sofrimento humano e acabando com a vida das pessoas”, disse o relatório da ONU.

Metas de redução de problemas sociais poderão ter de ser abandonadas e a crise precisará que governos coloquem mais de 10% do PIB global para o resgate de populações e economias inteiras. “Mas isto é muito mais do que uma crise de saúde. É uma crise humana”. A doença do coronavírus está atacando as sociedades em seu cerne”, apontou.

Com 25 milhões de desempregados extras, perda de US$ 3,4 trilhões na renda do trabalhador e queda brutal nos investimentos, a ONU insiste que chegou o momento de os governos reagirem. Para Guterres, a resposta global precisará ser muito mais forte. Mas isso apenas ocorrerá “se todos se juntarem e se esquecermos os jogos políticos e compreendermos que é a humanidade que está em jogo”.

Sua avaliação é de que os governos estão “muito longe de onde precisamos estar para combater eficazmente o COVID-19 em todo o mundo e ser capazes de enfrentar os impactos negativos sobre a economia global e as sociedades globais”.

Países não seguem OMS

Guterres lamentou que muitos países continuam desrespeitando as diretrizes da OMS e que, cada qual, busca sua estratégia para lidar com a pandemia.

Além disso, o Conselho de Segurança da ONU está em um impasse, diante da disputa política entre governos. Segundo ele, os pacotes de ajuda anunciados durante o encontro do G-20 não garantem que os países mais pobres recebam os recursos necessários para lidar com a nova realidade. Para a ONU, um resgate de US$ 2,5 trilhões serão exigidos para as economias emergentes, além do perdão de dívidas e até mesmo uma espécie de Plano Marshall para reconstruir esses países.

“Estamos longe de ter um pacote global para ajudar o mundo em desenvolvimento a criar condições tanto para suprimir a doença como para enfrentar as consequências dramáticas em suas populações, nas pessoas que perderam seus empregos, nas pequenas empresas que estão operando e correm o risco de desaparecer, naquelas que vivem com a economia informal que agora não têm nenhuma chance de sobreviver”, disse Guterres.

UOL