PM atira em zelador que tentou ajudá-lo a se levantar de queda de moto

O Policial Militar, em São Paulo, também atirou no filho do trabalhador que foi atingido. O rapaz de 21 anos estava filmando a ação desmedida do policial, que pegou o celular e jogou o aparelho em um rio.

247 – O zelador Marcelo Monteiro Silva, de 46 anos, foi baleado por um policial militar que ele tentava ajudar, informou o Uol. Segundo a reportagem, o zelador foi ajudar o policial que havia caído de moto em uma perseguição e foi baleado na perna. Em seguida, continua o artigo, o filho de Marcelo, Abraão de Araújo Silva, de 21 anos, que começou a filmar, também foi baleado na perna ao dar as costas. O policial pegou o celular do rapaz e atirou o aparelho que continha as imagens em um rio. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM. Os moradores da favela confirmaram o caso, mas o PM afirmou que atirou porque tentaram roubar sua arma.

“O que aconteceu foi o seguinte: tinha uns moleques empinando moto na [avenida] Politécnica. Os PMs deram ordem de parada e os motoqueiros entraram na favela. Lá, um dos PMs caiu. A rapazeada deu risada. Nisso, o PM falou: ‘chega aí, chega aí’. Todo mundo foi achando que ele tava precisando de ajuda. Chegando lá, ele atirou”, afirmou um homem que estava no local, que pediu para não ser identificado por temer represálias da polícia. “Tiração o que fizeram, um absurdo, isso aconteceria em Alphaville ou com desembargador?”, questionou outra testemunha.

Segundo a reportagem, o trabalhador estava com sua mulher, Cirlene Maria da Conceição, manicure de 40 anos, em uma festa de aniversário. A família está sendo acompanhada por advogado da Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio, de acordo com o portal.

Cirlene disse que seu marido está no Hospital Universitário da USP e o filho no hospital Vila Alpina, na zona leste, em estado estável. Ele denunciou, porém, que a polícia deu voz de prisão para Marcelo.”O estado de saúde deles é estável, mas deram voz de prisão ao Marcelo. Como dão voz de prisão contra a vítima?”, questionou.

“Durante a perseguição aos motoqueiros, os meninos deram uma volta na rua em que a gente estava. Quando o PM caiu e chamou quem estava dando risada, um rapaz, percebendo a agressividade do PM, começou a fazer filmagem. O PM tomou o celular da mão dele e jogou no rio. O Marcelo perguntou: ‘Por que tudo isso?’, e, na hora em que levantou os braços, tomou um tiro na perna”, afirmou a manicure.

“Meu filho pegou o celular para gravar. E começou a falar: ‘Para quê isso, senhor? É meu pai, é meu pai’. O mesmo PM que atirou no Marcelo ordenou que ele entregasse o celular, mas meu filho se recusou. Quando meu filho deu as costas para o policial, com o intuito de correr para preservar as imagens feitas, o PM atirou na perna dele. Depois, pegou o celular da mão dele e também jogou no rio”, denunciou.

“Balearam meu marido, meu filho e deixaram no chão. A gente que socorreu eles para o hospital. Os PMs foram embora”, disse a mulher. Segundo ela, além de seus familiares, um outro rapaz foi baleado na barriga e está em estado de saúde grave no Hospital Universitário, e uma outra mulher sofreu tiro de raspão, foi atendida e já está em casa.

BRASIL 247