Sem doses de vacina para sequer cumprir a 1ª fase do plano, Brasil pode considerar quebra de patente

Para além das fotos oficiais e declarações otimistas de governadores de todo o Brasil, a realidade é que a vacinação contra a covid-19 parece mais distante do que as comemorações parecem indicar. Com apenas 10,8 milhões de doses, o Brasil não tem vacina suficiente para a 1ª fase do plano de imunização.

Em texto publicado hoje no UOL, a repórter Juliana Arreguy explica que, enquanto há ao menos 14,8 milhões de brasileiros no grupo prioritário, atualmente há apenas 10,8 milhões de doses da vacina contra a covid-19 em território nacional. Como a imunização de uma única pessoa é garantida somente após duas doses, são necessários 29,6 milhões de doses nesta etapa.

Diante das últimas notícias envolvendo a importação de doses da vacina de Oxford da Índia e de insumos vindos da China para a fabricação da CoronaVac — os dois únicos imunizantes aprovados pela Anvisa para uso emergencial —, a reitora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a universidade brasileira responsável pelos testes da fase 3 da vacina de Oxford, a ser fabricada no Brasil pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), opina em entrevista a Wanderley Preite Sobrinho, também publicada hoje:

Se for necessário, sim [devemos considerar quebrar a patente dos insumos]. Se for de interesse nacional e da indústria, a gente tem de pensar em todas as possibilidades. Nos anos 1990, o Brasil quebrou a patente de muitos medicamentos da Índia, como os que compõem o coquetel antiaids. A quebra da patente fez com que o Brasil desenvolvesse seus laboratórios de genéricos, que hoje produzem muitos remédios. A ciência garante soberania, autonomia, a um país. Sem dinheiro e política voltada à ciência, o Brasil vai continuar dependente da importação de insumos.”
Soraya Smaili

UOL