Unesco indica tendência crescente de agressões a jornalistas durante protestos

Operador de câmera registra protesto. Pelo menos 10 profissionais da imprensa morreram de 2015 a 2020 ao cobrir manifestações

21 apenas na 1º metade de 2020

Ataques em 65 países diferentes

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) contabilizou 215 situações nos últimos 6 anos em que repórteres foram atacados ao cobrir manifestações. Foram 21 apenas no 1º trimestre de 2020 –mais da metade do total registrado ano anterior. Para a organização, os números “claramente indicam uma tendência crescente nos ataques contra jornalistas enquanto cobrem protestos”.

As agressões ocorreram em 65 países, de acordo com o relatório divulgado nesta 2ª feira (14.set.2020). Eis a íntegra (1MB), em inglês.

A Unesco afirma que “centenas de jornalistas pelo mundo tentando cobrir protestos têm sido assediados, espancados, intimidados, presos, sequestrados, colocados sob vigilância e tiveram seus equipamentos danificados. Outros foram mantidos sem possibilidade de se comunicar, foram humilhados, sufocados e atingidos com munição (letal e não letal)”.

A organização lembra que os países membros das Nações Unidas são obrigados a garantir a segurança de membros da imprensa enquanto executam seu trabalho, e que protestos não são uma exceção à regra. Contudo, desde 2015, pelo menos 15 jornalistas ficaram gravemente feridos ao reportar manifestações e 10 foram mortos.

As agressões mais severas partem de agentes de segurança. A legislação que regula quando e como policiais podem usar força durante protestos, inclusive contra jornalistas, é escassa. Nesse sentido, a Unesco recomenda o treinamento das forças de seguranças sobre liberdade de expressão. Um dos pilares é o diálogo entre forças policiais e a imprensa.

Manifestantes também atacam jornalistas –em parte incitados por discursos políticos que apresentam a imprensa como “inimiga da sociedade”. A Unesco lembra que a presença da imprensa inibe abusos por parte de agentes de segurança durante protestos.

Eis algumas práticas indicadas pela organização para jornalistas durante protestos:

  • Identifique-se. Mantenha a credencial em 1 lugar visível e se vista de forma a se diferenciar tanto dos manifestantes quanto dos agentes de segurança.
  • Mantenha-se neutro. Não tome lados durante manifestações e atenha-se ao papel de observar e reportar.
  • Veículos de imprensa devem ter treinamento específico e equipamento de proteção ao cobrir protestos, inclusive para jornalistas freelancers.

A Unesco também incentiva a formação de grupos dedicados a monitorar e incentivar a liberdade de imprensa. Associações jornalísticas são mais capazes de prestar o suporte necessário a colegas agredidos e a incentivar práticas seguras de cobertura. A Unesco cita a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) como 1 desses grupos.

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